Faz tempo que não é postado nada aqui. Eu mesma abandonei estas páginas, porque não estava mais me fazendo tão bem quanto antes.
Este é meu último post aqui, e este é um post em homenagem a Wally, que escrevia este blog junto com a gente. Ela se foi nesta terça-feira, e vai deixar muitas saudades.
Te mando flores, te mando pensamentos de amor e carinho, te mando tudo isso pelo vento, te quero bem, onde quer que você esteja. Eu te agradeço, Wally, não apenas em meu nome mas em nome de todos cuja vida você fez valer um pouco mais a pena, todos que vocês fez sorrir, todos a quem você ajudou. Obrigada, Wally. Aqui eu coloco um pouco das minhas próprias crenças, desejo toda a prosperidade a você nesta nova fase, neste recomeço, neste novo ciclo. Que você se recupere bem das feridas desta vida, que encontre amigos prontos pra te acolher aí do outro lado, e que seja um tempo glorioso pra você. Vá em paz, grande amiga, amiga de todos nós.
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quinta-feira, 25 de julho de 2013
Saudades, Wally
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Não é diferente
Esta semana fui ao oftalmologista. Semana passada perdi o psiquiatra. E hoje tem psicóloga.
Estou tentando voltar à ativa. Preciso de uma agenda bem definida, e de coragem para dormir à noite.
Comecei a fazer muay thai! É... esse merece um post. Mas não será este.
Estou apaixonada.
Tenho problemas em controlar os gastos, o que é bem complicado quando você não tem um emprego.
Eu pretendo começar a usar lentes de contato! Será bom! Mas, nossa, como é caro!
E aí? Muito diferente da vida de quem não tem TPB?
A gente ama, a gente estuda, a gente trabalha, a gente sorri, a gente chora, a gente tem compromissos, a gente não gosta de algumas coisas... Tudo isso faz parte. Faz parte da vida.
Estou tentando voltar à ativa. Preciso de uma agenda bem definida, e de coragem para dormir à noite.
Comecei a fazer muay thai! É... esse merece um post. Mas não será este.
Estou apaixonada.
Tenho problemas em controlar os gastos, o que é bem complicado quando você não tem um emprego.
Eu pretendo começar a usar lentes de contato! Será bom! Mas, nossa, como é caro!
E aí? Muito diferente da vida de quem não tem TPB?
A gente ama, a gente estuda, a gente trabalha, a gente sorri, a gente chora, a gente tem compromissos, a gente não gosta de algumas coisas... Tudo isso faz parte. Faz parte da vida.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Eu não sou Border. Eu sou Hamires
Chega uma hora em que a gente percebe o quanto é necessário
se desvincular do estigma de ter TPB – ou um outro transtorno qualquer -, mas
entre perceber e realmente concluir a cessão do vínculo há uma enorme
distância.
A criação deste blog é prova de quanto tempo faz que percebi
esta necessidade, mas, observando meus sentimentos e atitudes, vejo que ainda
tenho muitos passos a percorrer neste caminho.
Neste aspecto, me encontro em uma nova batalha. Das pessoas
que pensam que o que acontece comigo é frescura, eu sempre tive um ódio mortal,
mas havia um certo conforto em relação àqueles que me enxergam como “doente”,
porque isto significa que eles tem sensibilidade e estão sendo sensíveis
comigo.
Começo a sentir um desconforto agora com estes “sensíveis”
também. Eu não quero ser tratada ou enxergada como alguém que tem uma “desvantagem”,
uma “perna quebrada”. Eu quero ser vista como alguém como qualquer outra
pessoa, que, como todo mundo, tem seus problemas, e, também como todo mundo, é perfeitamente
capaz de viver e conviver com os problemas, utilizando suas habilidades, e até
mesmo aprendendo novas habilidades.
Eu entendo que, antes de qualquer coisa, EU devo me enxergar
como uma pessoa perfeitamente normal – utilizando a palavra “normal” por falta
de termo mais adequado. Qual é? Ou eu sou uma frescurenta ou uma completa
incapaz? Tem que haver um meio termo! Eu ainda não descobri este meio termo.
Admitir que, na realidade, o que pode nos travar ou
impulsionar é a forma como nós nos definimos e não a forma como os outros nos
definem é algo difícil. As frases reflexivas e filosóficas rolam como avalanche
nas redes sociais, as pessoas compartilham e se identificam, mas não absorvem. Fala-se
muito. Sente-se pouco.
Admitir que nós estamos só dizendo que depende da gente e blablablá, mas continuamos nos enxergando dessa forma restritiva é ainda mais difícil, porque não depende exclusivamente de pensamento, depende de emoção.
A consciência é fruto da emoção que se liberta, portanto, para haver consciência, é necessário haver emoção.
Admitir que nós estamos só dizendo que depende da gente e blablablá, mas continuamos nos enxergando dessa forma restritiva é ainda mais difícil, porque não depende exclusivamente de pensamento, depende de emoção.
A consciência é fruto da emoção que se liberta, portanto, para haver consciência, é necessário haver emoção.
Este desconforto que comecei a sentir, esta raiva, é um
sinal de que um outro passo eu dei nesta caminhada para me libertar do estigma.
A questão agora é absorver. Mas como absorver? Como sentir? Como encontrar o
meio termo e viver o meio termo? Como aceitar que eu sou “normal”?
Não depende dos outros. Isto é informação conhecida e
disseminada. Depende de mim. Mas eu entendo que o caminho dentro de mim também
é longo, o importante é não parar de caminhar.
Neste caso, caminhar é refletir. Refletir e refletir mais. A
respeito do que eu sinto. E deixar que o sentimento se desenvolva e brilhe com
a ajuda da reflexão.
Vamos fazer terapia, minha gente! Hahahahaha.
Um abraço carinhoso, e força. Sempre.
Cada pequeno passo é GIGANTE
Olá, olá, minha gente!
Dando uma passadinha para colocar uma proposta aqui, para aqueles que estão fazendo psicoterapia.
Hoje tive sessão, e a minha psicóloga fez um comentário que me fez pensar. Ela disse assim: "Há dois anos atras, a gente não estaria tendo esta conversa. Falar mal de alguém? Jamaaaais! Não pode! Mas hoje você fala. Eles são imbecis".
Eu estava falando a respeito das pessoas que acham que o que eu tenho é frescura, que eles simplesmente são imbecis. Rs.
Bem, isso me fez parar para pensar no quanto eu já mudei e superei.
Há dois anos atrás, eu era completamente escrava da necessidade de agradar aos outros, da minha baixa auto-estima, da minha culpa, do meu sentimento de inferioridade. Às vezes parece que nada mudou nesse aspecto, mas pequenos detalhes como este que minha psicóloga apontou me mostram como, na verdade, muita coisa mudou.
Há quanto tempo você está fazendo tratamento? Há quanto tempo você decidiu superar as coisas que te fazem funcionar de uma maneira que não te deixa ter uma vida? O que você percebe que mudou desde então?
Cada pequeno detalhe conta. E, como já disse o Dr. Leonardo, cada avanço é seu, não se anda para trás.
Um abraço carinhoso.
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Hamires Cristine,
para refletir,
psicoterapia e tratamento
sábado, 27 de outubro de 2012
Uma semente seca
Oiiii!!!
Faz tempo... rs.
Esta semana tive consulta com meu psiquiatra, ele dobrou a dosagem da minha medicação. Isto não é nada demais, visto que eu tomo apenas um medicamento, a quetiapina, que veio para mim, a princípio, com o objetivo de controlar sintomas de despersonalização desencadeados por minhas crises de ansiedade, e como sedativo. Agora - e com certeza era um objetivo desde o início -, a ideia é que seajm aproveitadas também suas propriedades antidepressivas.
Meu médico é bastante cuidadoso, vejam: eu comecei tomando apenas 25mg/dia, depois 50mg/ dia, e, desta vez, devo tomar 75mg durante 7 dias para, então, passar a 100mg. Isto permite que ele vá observando com detalhe os efeitos do medicamento escolhido pelo no meu organismo, e, assim, o tratamento seja baseado sempre em muito critério.
Mas eu tenho a sorte de estar sendo cuidada por um psiquiatra que, acima de tudo, é muito humano, não é "bitolado" em farmacoterapia e nas origens genéticas e biológicas das patologias, e entende que eu cheguei a esta condição devido à forma como me desenvolvi psicologicamente.
Ele me disse algumas coisas muito interessantes nesta última consulta:
Estávamos conversando sobre minhas dificuldades em lidar com tarefas e situacões sociais. Eu perguntei: "será que algum dia eu conseguirei realizar tarefas?". Eu não consigo! É mais forte que eu. Ele entende que é.
Ele me respondeu que sim. Ele me disse que nunca viu um paciente regredir; que todo avanço é algo permanente. "O que você alcança é seu."
Ele fez alguns comentários daqueles que ele sejmpre faz sobre como eu não cresci nas condições mais favoráveis para me desenvolver emocionalmente, e eu perguntei: "e a vida é favorável para alguém?".
Ele fez a seguinte comparação:
Imagine que eu coma melancia e jogue a semente pela janela. É muito improvável que ela chegue a germinar, mas suponhamos que ela, por sorte, caia em uma pequena fresta na terra e consiga se aninhar ali, e que tenha a sorte também de o tempo colaborar e chova, e as condições sejam favoráveis para que ela germine.
Mas isso é muito improvável.
Agora, se eu falar para você: "vamos ali plantar uma semente", e a gente afofe a terra, adube, regue, e cuide para que essa semente germine, muito provavelmente ela vai vingar.
Ele disse: "a criança é a semente".
Certo. Eu entendi tudo. Amei a comparação. E acrescentei:
"Então, nessa comparação eu sou uma semente seca."
Seca porque o tempo passou e eu não germinei.
E ele disse: "agora você fez uma comparação... sublime! Você é uma semente seca, mas não uma semente morta. Na época em que deveria ter germinado, as condições não foram favoráveis, mas ainda pode germinar, só que precisa de mais cuidado."
Eu não sou uma semente morta. Eu ainda vou germinar!
Um abraço carinhoso a todos.
domingo, 18 de março de 2012
Quê fazemos das conquistas?
Há um lugar em nossas almas onde cada um de nós deixa jogadas todas as nossas próprias vitórias, e acabamos passando pela vida sem as notar.
É onde deixamos de celebrar os sorrisos, e guardamos as conquistas, muitas vezes, antes mesmo de dedicar um olhar atento e perceber sua verdadeira magnitude.
Nós fazemos descaso delas!
As escondemos porque estamos muito assustados, aterrorizados por nossos monstros interiores, e não nos damos a chance de verificar a mágica alí constante.
Estamos negando a nós mesmos a única coisa capaz de transformar nossos monstros em amigos de brincadeiras de rodas, e nossas trevas em jardins de aromas e luz.
Não negue a si o direito de se orgulhar de cada pequenino passo, por microscópico que seja. Ele é seu, você deu tudo o que podia dar de si. E é o teu reconhecimento pelo teu próprio mérito que vai te levantar da próxima vez que você cair.
Portanto, sinta-se grande por cada dia que você resiste à dor, e por cada iniciativa que você toma, mesmo que você desista de alguns planos, pois você deu um primeiro passo, e ele não foi fácil, portanto, é mérito seu e bem-diz de ti!
Você é forte, digno, guerreiro e vencedor! Nunca deixe que ninguém te faça se questionar sobre isso, e repita isto para si mesmo tanto quanto você puder.
Acho que três vezes ao dia é bom. \o/... Rs.
Um beijo carinhoso nos narizinhos de vocês!
segunda-feira, 5 de março de 2012
Alguns desenhos
Os desenhos a seguir estão no meu caderninho.
É certo que, de alguma forma, há muito de mim em cada um deles.
Queria mostrar a vocês. Pra interagir. =P
Hihi.
É certo que, de alguma forma, há muito de mim em cada um deles.
Queria mostrar a vocês. Pra interagir. =P
Hihi.
É... São eles.
Não tenho muito mais o que dizer. Hihi.
Abraços carinhosos!
sábado, 11 de fevereiro de 2012
O que você é? Perfeito(a) pra caralho!
Prestenção!
Entenderam?
Beijinhos carinhosos!
Entenderam?
Beijinhos carinhosos!
domingo, 15 de janeiro de 2012
Aprendi nos ultimos meses...
Já tem tempos que eu não escrevo aqui, e isto é porque ainda não tive nenhuma historia pra lhes contar.
Mas tenho algumas coisas que aprendi a compartilhar com vocês:
- Não dá para ter uma relação saudável com qualquer outra pessoa antes de ter uma relação saudável comigo mesma. Me conhecer, me encontrar, me entender, me aceitar e me amar. Para isso, terapia e força de vontade, disposição. Ter uma boa relação comigo, resolver os meus proprios conflitos, me permitirá administrar melhor relações e conflitos com outros. Me permitirá entender com mais verdade, com menos distorções, o que acontece à minha volta, com outras pessoas, em minhas relações.
- É necessário se empenhar no meio termo. Esta é uma das coisas mais difíceis para uma pessoa com TPB, mas é também o melhor exercício para ela! Esta coisa de tudo ou nada só piora as coisas. Se eu não consigo encontrar o meio termo sozinha, eu posso pedir a ajuda de alguém que esteja vendo a situação com mais clareza do que eu.
- Menos é mais! Pensar menos, procrastinar menos, temer menos, querer menos. Fugir das intermináveis discussões consigo mesmo sobre o futuro. Pare de fazer isto! Aceite para si um objetivo de cada vez. Nós temos a mania de planejar dezenas de coisas e, com isto, nos confundirmos e não realizarmos nenhuma delas. Que o próximo passo seja sempre o maior objetivo! Quando você olhar, já vai ter feito muitas coisas, alcançado muitas metas, sem nem perceber, só prestando atenção nessa simples premissa: menos é mais.
Estas foram as lições que aprendi nos ultimos meses. E você? Tem algo a compartilhar conosco? Fique à vontade!
Um beijo carinhoso, com toque de seda, na sua bochecha esquerda.
Mas tenho algumas coisas que aprendi a compartilhar com vocês:
- Não dá para ter uma relação saudável com qualquer outra pessoa antes de ter uma relação saudável comigo mesma. Me conhecer, me encontrar, me entender, me aceitar e me amar. Para isso, terapia e força de vontade, disposição. Ter uma boa relação comigo, resolver os meus proprios conflitos, me permitirá administrar melhor relações e conflitos com outros. Me permitirá entender com mais verdade, com menos distorções, o que acontece à minha volta, com outras pessoas, em minhas relações.
- É necessário se empenhar no meio termo. Esta é uma das coisas mais difíceis para uma pessoa com TPB, mas é também o melhor exercício para ela! Esta coisa de tudo ou nada só piora as coisas. Se eu não consigo encontrar o meio termo sozinha, eu posso pedir a ajuda de alguém que esteja vendo a situação com mais clareza do que eu.
- Menos é mais! Pensar menos, procrastinar menos, temer menos, querer menos. Fugir das intermináveis discussões consigo mesmo sobre o futuro. Pare de fazer isto! Aceite para si um objetivo de cada vez. Nós temos a mania de planejar dezenas de coisas e, com isto, nos confundirmos e não realizarmos nenhuma delas. Que o próximo passo seja sempre o maior objetivo! Quando você olhar, já vai ter feito muitas coisas, alcançado muitas metas, sem nem perceber, só prestando atenção nessa simples premissa: menos é mais.
Estas foram as lições que aprendi nos ultimos meses. E você? Tem algo a compartilhar conosco? Fique à vontade!
Um beijo carinhoso, com toque de seda, na sua bochecha esquerda.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Uma mensagem de dentro do buraco
Peço licença ao Leoni pra mudar um pouco suas palavras e pedir que me aguardem, pois ainda chegarão as tardes de Sol a pino. E que, pelas ruas, flores e amigos me encontrarão vestindo o meu melhor sorriso. Que venho, já há certo tempo, andando no escuro, e tenho tido dificuldades em procurar ou encontrar as respostas, mas sou a causa e a saída de tudo, e cavarei como um túnel meu caminho de volta.
Eu ainda não sei como sair daqui, e sinto muitas saudades de mim mesma e das coisas como costumam ser quando tudo está tranquilo e ensolarado, mas eu sei que há uma saída em algum lugar, mesmo que eu não a esteja vendo nesse momento. Eu a encontrarei.
Desculpem o sumiço. Estou em um momento muito complicado. Quando eu tiver saído desse lamaçal de desespero, voltarei para explicar melhor o que estava acontecendo e onde estava a saída.
Um abraço carinhoso, e até tão breve quanto possível.
Eu ainda não sei como sair daqui, e sinto muitas saudades de mim mesma e das coisas como costumam ser quando tudo está tranquilo e ensolarado, mas eu sei que há uma saída em algum lugar, mesmo que eu não a esteja vendo nesse momento. Eu a encontrarei.
Desculpem o sumiço. Estou em um momento muito complicado. Quando eu tiver saído desse lamaçal de desespero, voltarei para explicar melhor o que estava acontecendo e onde estava a saída.
Um abraço carinhoso, e até tão breve quanto possível.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Eu adoraria vestir um arco-íris todos os dias
terça-feira, 27 de setembro de 2011
A volta da música à minha vida
Minha história com a música é turbulenta, assim como meus relacionamentos mais íntimos e desejados.
O gosto musical foi plantado em mim: mamãe me ninava ao som de Chopin; durante minha infância, cansei de dormir escutando Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, entre outros sertanejos, que minha mãe fazia questão de deixar tocando baixinho para dormir; ainda durante a infância, tive um contato mais ou menos intenso com a MPB.
O gosto musical foi cultivado em mim: me lembro de me "meter a cantar" desde meus oito ou nove anos, todos achvam uma graça, todos queriam ouvir; aos onze anos comecei a ter aulas de canto, acompanhadas das aulas de teoria musical, e logo já fazia parte do coral do conservatório, do coral da escola onde estudava, e queria estudar piano e passava tardes inteiras no conservatório treinando escalas no piano, enchendo o saco dos professores e de alunos de piano para me ensinarem algo.
Meu gosto musical, foi, aos poucos, sendo censurado pelo ambiente: eu não podia ter aulas de piano - a aula de canto ja esgotava o orçamento -, e, quando eu tinha 13 anos, minha mãe não podia mais pagar a aula de canto. Eu já era uma criança sensível demais ao ambiente. Este abrupto afastamento da unica coisa que me fazia feliz na vida (eu chegava da escola e ia para o conservatório, mesmo nos dias em que não tinha aula de música) não foi sentido por mim de forma amigável. Eu deveria entender? Eu não acho que eu tinha esta obrigação. Mesmo assim, eu entendi.
Mas, aos poucos, fui me tornando retraída e inativa, com relação à música, em um movimento no sentido de evitar o sofrimento que o afastamento de minhas atividades me causou. Muitas vezes, eu chorei escondida no banheiro ao ver as bandas que tocam em reuniões, formaturas e festas de casamentos. Por mais que eu pudesse buscar um meio de prosseguir com meus estudos musicais, e realmente me senti culpada durante muito tempo por não ter feito isso, hoje, compreendo que havia uma força maior que me segurava, um sofrimento latente, que não quis se deixar ser sentido, e foi me afastando cada vez mais da música.
Por algumas vezes, pensei em tentar o processo seletivo da Escola Tom Jobim. Por outras, em me inscrever para entrar em algum coral. O sofrimento realmente me barrou demais!
Eu perdi o contato. Não busquei ampliar meus horizontes - meu repertório musical, hoje, é minimamente mais extenso do que o que eu tinha há 10 anos atrás. Não sinto mais tanto gosto com a música. Ou melhor, não sentia.
De repente, compreendi - não completamente ainda, mas de forma um tanto parcial - o movimento que fiz e o sofrimento, o receio da frustração. Isto liberta, sabem? É como se fosse aberta uma porta para eu entrar em contato com a única coisa que ainda restava de original em mim na época em que eu não sabia que era tão infeliz. Coincidência ou não, meus sintomas começaram a aparecer, de fato, de forma a eu mesma percebê-los, após o rompimento com a música.
Quando falo que era o que ainda restava de original em mim, quero dizer que era uma aspiração minha, algo realmente meu, um sinal do meu 'eu' verdadeiro.
Com isto, resolvi fazer da música um instrumento do meu desenvolvimento.
Nos métodos de estudo, eu posso aprender a ter foco. No contato com a música, eu posso me deixar ser eu mesma, original e essencialmente.
Eu bato nesta tecla: nós nunca vamos conseguir sair deste ciclo de angústia, raiva e insegurança, se não nos permitirmos um contato com o que há de mais verdadeiro e essencial em nós, a fim de estabelecer uma relação sadia conosco mesmos, fazer se sentir querida, bem-vinda e protegida a nossa criança interior, para que ela entre em contato com o mundo de forma segura e possa crescer, e possamos "atualizar", como dizem os profissionais que cuidam de mim, os nossos sentimentos, já que eles ficaram presos em algum lugar de nossas infâncias.
Voltando à musica, ontem, decidi voltar a estudá-la. Eu não tenho dinheiro? Foda-se! Eu tenho a minha vontade, a minha capacidade, a internet (rs) e, ainda, para ajudar, já fui introduzida no mundo musical prático e teórico. Será que eu realmente preciso de dinheiro para voltar a estudar música?
Conversei com minha tia, e ela vai me emprestar o violão. Eu queria aprender algum instrumento, e gosto deste. Violão é versátil e acessível, além de eu achar o estudo do violão algo bastante agradável, e de eu morrer de vontade de não depender dos outros para fazer minhas "cantarolias" por aí!
Além de conseguir um violão, também baixei alguns programas que me ajudarão com meus estudos (programas de partituras e um teclado virtual), garimpei um material 'chuchu-beleza' para meus estudos em técnica vocal, violão e teoria musical, estou organizando meu roteiro de estudos, e também comecei a pesquisar livros de história da música, teoria musical, aspectos fisiológicos e físicos da música, entre outros temas afins .
Farei meus estudos da seguinte maneira: semanalmente, sempre nos mesmos dias, e horários, inclusive, tomarei uma nova lição de técnica vocal, assim como uma nova lição de violão e de teoria musical, que estudarei e praticarei ao longo dos dias que se passam até que chegue o dia de aprender uma nova lição. Também organizarei uma forma de apreciação musical, mas ainda não sei como, porque sou extremamente metódica e não desenvolvi tal método. Acredito que comunidades sobre música, blogs e os livros de história da música me ajudarão nesta questão.
Com relação aos livros, estou fazendo uma lista com todos os títulos disponíveis sobre o tema, lista sobre a qual me basearei para escolher os livros que entrarão no meu roteiro de estudos.
Já que não tenho um professor, tenho que desempenhar este papel da maneira que posso, e a maneira que posso é pesquisando bastante e fazendo um roteiro de estudos. E seguindo este roteiro, como boa aluna, claro. =)
Com relação aos livros, estou fazendo uma lista com todos os títulos disponíveis sobre o tema, lista sobre a qual me basearei para escolher os livros que entrarão no meu roteiro de estudos.
Já que não tenho um professor, tenho que desempenhar este papel da maneira que posso, e a maneira que posso é pesquisando bastante e fazendo um roteiro de estudos. E seguindo este roteiro, como boa aluna, claro. =)
Meu objetivo é desenvolver a habilidade de manter o foco, a disciplina e a persistência, através do engajamento em fazer algo que me traz prazer e satisfação, já que sou o que chamamos de "borderline de baixo funcionamento".
A princípio, admito que estou motivada e otimista com esta questão da minha volta aos estudos musicais.
Os manterei atualizados no decorrer desta minha jornada.
Um abraço a todos, e um beijinho de esquimó nos mais saídos.
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Desenho, pintura, isolamento social e crianças macabras
Hoje, eu quero falar, aqui, de desenho e pintura. Não tecnicamente, obviamente (risos).
Lembro-me que eu tinha um caderno de desenho, que eu rabiscava para me expressar. Este caderno não existe mais. Perdi em um acidente destes da vida, onde fazemos coisas idiotas e sofremos as conseqüências. Mas não é disto que quero falar.
Dentre os desenhos contidos naquele caderno, havia uma espécie de auto-retrato, que era um desenho mal feito e mal pintado dos meus braços cortados e sangrando. Havia outro, onde uma figura humana abstrata carregava o mundo nas costas e, em volta, haviam manchas pretas, como se a realidade estivesse sumindo. Outro, ainda, era uma moça que flutuava, de olhos fechados, seus braços e pernas terminavam pontiagudos, sem mãos e pés, e em volta dela havia uma energia em faixas, lilás, amarelo e verde água. O outro era o rosto de uma mulher gritando, congelada (havia o desenho do gelo), como se tivesse congelado no momento em que gritava, e assim permaneceu. Em outra folha, desenhei uma rosa congelada.
Não me lembro, neste momento, dos outros desenhos.
Eu gosto de desenho, mas não sei desenhar. E gosto de pintar, mas não sei pintar. Eu pretendo aprender, e já dou minhas rabiscadas, porque é gostoso e não tem nada de mal em desenhar sem saber, é só que eu quero fazer isto com mais liberdade e a técina traz isto.
Eu não conheço a história da arte e as obras dos grandes artistas. Eu passei os últimos 21 anos dentro de uma bolha. Não conheci música, arte, não soube do que se passa no cotidiano, no mundo, não desenvolvi relações íntimas com as pessoas ou com as situações que eu vivia. Muitas vezes, eu até não fazia idéia de que dia do mês era, outras, não sabia em que dia da semana estávamos, e toda vez que chega um feriado eu só descubro quando percebo que está todo mundo em casa. Eu já cheguei a esquecer meu próprio aniversário - que, por acaso, é amanhã - por mais de uma vez.
Mas estou entrando em contato comigo, aos poucos, e com minhas aspirações, minha essência.
Sempre gostei de ir a museus e exposições e tenho vontade de conhecer a história da arte, observar as obras. Entender a história ainda não me fascina, mas ter um contato mais íntimo com este universo é algo que eu desejo.
Acho que vou procurar livros sobre isto. Sei que acabei de dizer que a história da arte não me fascina, mas através dela obterei um rumo para conhecer o que realmente quero
Também andei olhando desenhos na internet, e encontrei duas artistas que me encantaram. Uma é a Adriana Ramalho. Encontrei o portifólio dela há algumas semanas, quando pesquisava desenhos em pastel oleoso.
Este é um desenho dela. Gosto muito.
Outra, é a Kika Goldstein. Encontrei hoje, quando procurava o site da Adriana.
Gosto destas visões que misturam o abstrato com o concreto, elas retratam como é, de fato, o sentir da gente, e "da gente" significa todo mundo. O normal é sentir desta maneira, internalizando a coisa, tornando-a particular, com um aspecto único, cheio do que há dentro de nós. Nada contra o realismo, ele tem seu valor e seu lugar. Neste aspecto, eu, particularmente, prefiro as pinturas feita com tinta, observar as pinceladas que o pintor juntou, uma a uma, para formar um todo e retratar fielmente o que ele via.
Estou pensando em mostrar a vocês alguns dos meus rabiscos. Querem ver? Não são técnicos, mas foram pintados pela minha alma, e fizeram um bem lascado a ela também.
Este é o primeiro que eu pintei, quando minha amiga, Bruna, me convidou para desenhar com ela. Aliás, agradeço a ela por ter me posto denovo em contato com este meu lado, foi algo muito importante!
Já, este, eu fiz depois de comprar meu próprio material, e eu até o postei no outro blog.
Ai, isso é tão legal!
O pior é que tem vários desenhos sem pintar alí na minha pasta.
No material que tenho, tem tinta acrílica, lápis, borracha, apontador, blocos de papel canson, pincéis, pastel oleoso (falar "pastel oleoso" parece chique, né, =P), esfuminho, paletinhas, godet, e uma pasta, onde guardo os desenhos. Quero comprar telas. Deve ser muito gostoso pintá-las!
Acho que vou abrir uma campanha "Ajude a Hamires a se tornar uma artista". Se 310 pessoas me doarem, cada uma, 50 centavos, eu já poderei pagar um mês de aulas de desenho artístico!
Hehe. É brincadeira. Não vou fazer isso, não. Que patético.
Então, e este é um desenho que eu idealizei quando estava na sala, e vi o reflexo do relógio no vidro da televisão desligada. A princípio, seria somento o relogio, com esse fundo cinza, mas eu comecei a devanear, e quando eu devaneio, já viu!
Nossa! Este desenho, com essas fibras viscerais, me lembrou que, esta noite, antes de dormir - quando eu estava tentando dormir, na verdade -, ficaram me assombrando imagens, dentro da minha cabeça, de uns rostos de crianças, e era assustador, um tanto sanguinolento. Elam sorriam, com cara de quem aprontou. Daí, me lembrei que hoje é dia de Cosme e Damião. Sinistro, isso.
Mas, voltando, estes são os desenhos. Não os bombardearei mais com eles - pelo menos, não neste post.
Ah, essa coisa toda de pintura e desenho e artistas e contato com o mundo das artes me lembrou que, quando eu estava na sexta ou na sétima série do ensino fundamental, não me lembro ao certo, nós fomos ver a exposição das obras de Picasso, na Oca, e tínhamos um trabalho de artes para fazer sobre esta visita. O solicitado foi que escolhêssemos uma das obras que estavam lá e a reproduzíssemos, com nossa própria visão.
Hoje, entendo que é porque era isto o que Picasso fazia, mas, na época, não me apercebi disto.
Bem, o fato é que eu escolhi, de propósito, um dos desenhos mais simples - justamente porque eu não entendia bem o que era para fazer - como os desenhos de Picasso que estão logo abaixo, mas não era nenhum desses - eu acho. Não me lembro qual era. Eu revirei as obras de Picasso na internet, para tentar reconhecer o desenho que eu havia escolhido, mas não reconheci.
O fato é que eu até hoje não entendi por quê eu fui a única que tirou nota 10. Eu só tentei fazer o desenho o mais parecido possível. Onde está a minha interpretação nisso? Vai entender...
Bem, deixa eu ficar por aqui, porque já falei demais.
Um tchauzinho cheio de gracejos.
Esclarecendo dúvidas sobre o caderninho
Aqui, esclarecerei algumas dúvidas com relação à idéia de ter um caderninho como o que eu relatei neste post aqui.
O caderninho é um diário?
Não exatamente, mas ele pode ser um diário se você quiser se ele seja. Ele é o que você quiser. Claro que ele não pode ser um ornitorrinco, mas você pode colar a foto de um ornitorrinco na capa, se isto te fizer feliz.
O que escrever no caderninho?
Pra começar, você não tem que, necessariamente, apenas escrever nele. Para tentar deixar esta questão clara, farei uma breve lista de sugestões do que você pode colocar nele, outra do que você não deve fazer com ele e, em seguida, transcreverei algumas passagens do meu caderninho.
Sugestões de o que colocar no caderninho:
- Quando você quer xingar alguém, ou bater em alguém, você pode escrever no caderninho o quanto filha da puta esta pessoa é, devanear sobre o que gostaria de fazer com ela, e sobre o porquê de você estar com raiva. Você pode até colar uma foto dessa pessoa e rabiscar a foto toda! Ou desenhar a pessoa morta. Ou desenhar a pessoa te pedindo desculpas. Enfim, as possibilidades são infinitas. A idéia é expressar no caderninho o que você sente e o que você gostaria. Sem medo.
- Quando você está confuso e ninguém entende o que você está dizendo - nem você - , você pode jogar as palavras no caderninho e fazer rabiscos.
- Quando você está feliz, você pode escrever o quanto você está feliz e o porque de você estar feliz.
- Você pode escrever poemas malucos nele, se quiser.
- Você pode escrever como seria o mundo perfeito ou a vida perfeita;
- Você pode escrever o que você deseja, ou expressar o que você deseja através de desenhos ou colagens.
- Você pode deixar suas lágrimas molharem o caderninho.
- Você pode fazer rabiscos e desenhos abstratos.
- Você pode fazer listas. Listas do que você gosta, do que não gosta, do que quer, do que te faz infeliz, do que você gosta em você mesmo, do que você não gosta em você mesmo, do que você poderia fazer para se sentir melhor, e até a lista do supermercado. O caderninho é seu. Você faz a lista que quiser.
- Você pode registrar os insights que você tem. Aliás, é algo extremamente útil, pois insights adoram se esconder da gente quando a gente para de falar neles.
- Você pode escrever as suas lembranças, se você quiser.
- Você pode contar para o caderninho qual foi a melhor parte do seu dia e qual foi a pior.
- Quando você precisa conversar e não tem ninguém que possa fazer isto com você naquele momento, você pode contar para o caderninho que não tem niguém para conversar com você.
O que você não deve fazer:
- Se sentir obrigado a escrever no caderninho;
- Aceitar que leiam ou escrevam no seu caderninho sem que você que você queira.
Trechos do meu caderninho:
"Me sinto patética por querer; por ter sempre que ser do meu jeito; porque isto é algo secundário. Piano não provê sustento. (Hamires Cristine - sobre cantar em uma banda)"
"Estou profundamente magoada (...) Eram situações confusas e ficava só um grande vazio. Eu não merecia ser negligenciada dessa forma, e minha dor e minha raiva em relação a isso são legítimas e têm razão de ser. (Hamires Cristine - sobre a negligência do Helder com minha dor e meus processos)"
"Eu tenho um cinzeiro bonito. / Foi minha mãe quem me deu. / Meu cinzeiro é roxo, / Porque tudo o que minha mãe compra para o meu quarto é roxo, / assim também seria o cinzeiro. / E minha mãe compra tudo em roxo / porque ela sabe que eu gosto de roxo / e pretendia decorar meu quarto nesta cor. / Infelizmente, a escrivaninha é rosa. / Bem, ela foi um acidente. / Se minha mãe a tivesse comprado, seria tabaco, / porque minha mãe sabe que quero os móveis do meu quarto em tabaco e branco. / Minha mãe me ama, / e meu cinzeiro é roxo. (Hamires Cristine - sobre o cinzeiro roxo e o amor)".
"Eu tenho um cinzeiro bonito. / Foi minha mãe quem me deu. / Meu cinzeiro é roxo, / Porque tudo o que minha mãe compra para o meu quarto é roxo, / assim também seria o cinzeiro. / E minha mãe compra tudo em roxo / porque ela sabe que eu gosto de roxo / e pretendia decorar meu quarto nesta cor. / Infelizmente, a escrivaninha é rosa. / Bem, ela foi um acidente. / Se minha mãe a tivesse comprado, seria tabaco, / porque minha mãe sabe que quero os móveis do meu quarto em tabaco e branco. / Minha mãe me ama, / e meu cinzeiro é roxo. (Hamires Cristine - sobre o cinzeiro roxo e o amor)".
Eu pretendo transcrever, em posts específicos, outras partes do meu caderninho, assim, ficará cada vez mais compreensível a idéia - e também é gostoso compartilhar, hihi. Alguns textos completos, outros, parcialmente, porque meu caderninho é meu refúgio e compartilhar é compartilhar o que eu me sinto à vontade para compartilhar, o que você se sente à vontade para compartilhar. O que você quer que fique no caderno, e só no caderno, não deve sair de lá.
Em que, exatamente, isso tem utilidade?
Eu acho muito útil ter um lugar (o caderninho) onde eu me sinto segura para ser quem eu sou, como eu sou, o que sinto, o que quero, sem vírgulas, sem entrelinhas, sem receios.
Mas a terapia não serve pra isso?
Serve, também. Mas você está vinte e quatro horas na terapia? O caderninho pode estar onde e quando você quiser.
Mas se o caderninho não me responde, não é como a terapia.
Ninguém disse que é. É uma terapia sim, mas uma terapia alternativa. Ele não responde porque ele é uma extensão de você. Escrevendo ou colocando coisas nele, você está conversando consigo mesmo. Se deixe falar. Se deixe ser. ;-)
E qual é a diferença entre ter um blog e escrever um caderninho?
Na real, não há muita diferença, se você não está escrevendo o blog para pessoas seguirem. A diferença é que o caderninho não é para ser lido por quem você não quer que leia. Mesmo que você tenha o respaldo do anonimato (eu tinha escrito anonimidade, que vergonha), sempre haverá, inconscientemente, uma escolha entre o que você quer que pessoas leiam e o que você não quer, assim, antes mesmo de você pensar em escrever, você já fez uma seleção entre o que pode sair daí e o que não deve. Sim, este processo, geralmente, no casos de autores anônimos, é inconsciente. O caderninho deixa um mínimo espaço para este processo, porque você sabe que ninguém lerá o que você não quer que seja lido, perdendo apenas para a expressão através do desenho e expressão corporal (desenho não é entendido pela sua mente como linguagem, logo, não há censura, porque ninguém entenderá mesmo), mas, como você também pode desenhar no caderninho, isto não é um problema.
Para quê escrever ou expressar o que eu não quero que seja visto?
Para responder a esta pergunta, há dois pontos-chave:
- Para descarregar. Sabe aquela sensação de ter um monte de coisas dentro de você querendo explodir? Quando você não as prende, é menos provável que elas transbordem, pois, se você as solta, em vez de transbordarem como um vulcão em erupção, ela fluem como o ar que entra e sai pelos seus pulmões.
- Para você ver. Os pensamentos e as emoções, enquanto pensamentos e emoções, são abstratos. Quando você os transforma em algo visual, você os torna concretos. E é extremamente mais simples entender e lidar com o concreto do que com o abstrato.
É isto. Qualquer dúvida, dá um grito.
Espero ter esclarecidos as questões que tenham ficado "no ar".
Um abraço cheiroso, e uma piscadela sorrida.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Minhas pequenas Grandes Coisas
Oi, pessoalzinho!
Após certa ausência, tenho coisas importantes pra contar a vocês.
Esta semana, a coisa andou feia! Tive crises, quebrei coisas, gritei. Algo que me admirou bastante, aliás, foi a crise que tive quando estava na casa do meu namorado. Era madrugada, acho que ele estava dormindo. E acho que me senti abandonada. Sempre me sinto abandonada. Talvez seja TPM esta tempestade pela qual andei passando. Só sei que eu não conseguia nem pensar durante esta crise, eram só sensações e, por não conseguir pensar, eu também não conseguia falar. Eu ria, eu chorava, eu parecia drogada. Até que o Helder colocou a mão em meu rosto e suspeitou que eu estivesse com febre. E, sim, eu estava. Nada do outro mundo, apenas uma febre de 38 graus.
Não tive mais febre depois disto. A explicação é: a atividade no meu cérebro estava extremamente mais intensa do que o "usual", demandando mais oxigênio, que é transportado através da circulação sanguínea, que, então, aumentou e, enfim, elevou a temperatura do meu corpo.
Mas isto são apenas hipóteses. Possíveis e bem prováveis, mas ainda hipóteses.
Esta não é a questão. A questão é que minha semana foi cheia destas coisas, e eu cada vez mais retraída, pensando que nada poderia me ajudar. Eu estava até começando a pensar que fosse um erro escrever neste blog.
Até que meu namorado precisou sentar ao meu computador para fazer um trabalho da faculdade (a esta altura, já estávamos em minha casa, e isto aconteceu nesta madrugada). Eu não podia me sentir só, abandonada. Sabia que isto poderia acontecer, então, me antecipei: dispus meu material de desenho sobre aquela mesinha branca e pensei em começar a desenhar.
No dia em que comprei o material para esta atividade, também trouxe para casa um caderninho, que eu não sabia qual utilidade teria.
Bem, eu descobri, e - puxa(!) - tem uma utilidade maravilhosa!
Primeiro, escrevi meu nominho na página de dados pessoais. Depois, fiz isto na página seguinte:
Não sei se está legível, mas o que está escrito é: "Caderninho da Hamires . Minhas pequenas Grandes Coisas".
Mesmo depois de fazer este desenho, eu ainda não sabia o que eu escreveria.
Acontece que, durante uma conversa com o Helder, eu precisei organizar meus pensamentos através da escrita - meio pelo qual já é de meu conhecimento que consigo organizar melhor do que falando, e que uso, inclusive, na psicoterapia, quando não estou conseguindo me expressar. Sabe essa coisa de "jogar as palavras"? Daí, organizo visualmente, colocando-as em colunas, fazendo relações entre elas, estas coisas.
Escrevi na próxima página do caderno. Então, descobri para quê serve o caderninho.
Bombardeei o coitado! Só nesta madrugada, foram cinco expressões diferentes. Consegui ter insights, e pensar em formas de me organizar. Consegui reavivar minha esperança, ou melhor, acho que, agora, eu realmente acredito que posso sair dessa!
Acho que é de conhecimento geral que o ego de um border não se desenvolveu sadiamente, sendo confuso, encolhido num canto qualquer da mente, reprimido pela batalha entre o superego e o id, em vez de mediá-la e se beneficiar dela.
Pois, muito bem. De repente, eu entendi - de repente, não, pois houve todo um processo de associação, compreensão e desenvolvimento da própria compreensão, mas, 'whatever...' - que toda vez que jogo uma conquista minha no lixo, uma iniciativa minha no lixo, uma felicidade minha no lixo, ou mesmo minha raiva, minha tristeza, meus desejos, sempre pensando em 'onde determinado sentimento pode levar', pois: minha felicidade não anula minha dor, então ela é descartável; minhas conquistas não anulam minhas derrotas, portanto, de nada servem; minha raiva vai gerar atrito, o que vai me deixar vulnerável à introsão do outro no meu 'eu', então seu lugar é o lixo; entre outros funcionamentos meus, todas estas vezes, estou jogando a Hamires no lixo, arrancando um pedacinho meu, mantendo o buraco aberto, a ferida doendo, sem nunca cicatrizar.
A dor é o que resta quando se tira tudo o que poderia começar a formar o "todo" almejado, o ego, o self sadio, ausência pela qual sofro e me lamento.
Cheguei à conclusão de que, através desta pequena e simples ação, posso ter um porto seguro, onde eu posso ser eu mesma, sem me preocupar com o que pensarão, com o que falarão, se é certo ou errado, se é válido ou não - claro que é válido(!), é meu(!), eu sou alguém(!) -, e assim permitir que, enfim, meu ego se desenvolva e eu deixe de ser uma pessoa pela metade.
Há mais coisas que gostaria de contar sobre esta madrugada e sobre o que o caderninho já me trouxe, mas fica para a próxima.
Um abraço carinhoso em todos, e beijinhos nas mãos das donzelas.
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caderninho da Hamires,
Hamires Cristine
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Respondendo ao comentário de Miah
Parabéns pelo Blog de vocês!
Vocês me fizeram muito bem hoje, logo hoje que a dor sucumbe as palavras.Não estou pra quase nada agora, mas saber que alguém ainda que longe pode entender um pouquinho de mim e poder compartilhar, já parece uma luz. Que vocês possam continuar ajundando muitas outras pessoas como nós.
Beijos em todos.
Miah
Vocês me fizeram muito bem hoje, logo hoje que a dor sucumbe as palavras.Não estou pra quase nada agora, mas saber que alguém ainda que longe pode entender um pouquinho de mim e poder compartilhar, já parece uma luz. Que vocês possam continuar ajundando muitas outras pessoas como nós.
Beijos em todos.
Miah
Comentário deixado na página Sobre o blog, em 16 de setembro de 2011.
Miah, querida, me alegra infinitamente saber que te fizemos bem. É para isso que estamos aqui, certo? Para o bem. A vida de um border já é cheia de angústias, frustrações. Um lugar onde se possa comemorar as conquistas, o lado bom da vida de um border, que é tão difícil de perceber, mas está lá, em algum lugar, gritando "Ei, olha pra mim! Olha pra mim!", este lugar é indispensável!
Pode ter certeza, Miah, que aqui choraremos contigo as tuas angústias, xingaremos contigo às pessoas que te fizerem mal, e pularemos contigo de alegria quando você nos trouxer notícias boas. Quando você nos falar de tuas conquistas.
O espaço se divide em autores e leitores, certo? Errado. Somos uma comunidade, um grupo de amigos. Todos aqui têm voz. Sempre que quiser contar algo a alguém, sinta-se à inteira vontade para compartilhar conosco. Receberemos e vibraremos.
Obrigada por compartilhar o teu momento.
Um abraço cheio de carinho pra ti. =)
Hamires Cristine
Hamires Cristine
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Hamires Cristine,
respondendo comentários
Bolo de cenoura com cobertura de dèjá vu
Eu tive um sonho, vou te contar:
Eu me atirava do oitavo andar,
E era preciso fechar os olhos
Pra não morrer e não me machucar
É o que devemos fazer.
Não temos que ter medo.
É o que devemos fazer.
Eu tive um sonho,
Muitos soldados me procuravam dentro do meu prédio,
E era preciso voar pelas escadas
Pra não deixar que eles chegassem perto.
É o que devemos fazer.
Não temos que ter medo.
É o que devemos fazer.
Não deixe de cruzar o seu olhar com o meu.
Eu vou jogar meu corpo em cima do seu.
Não deixe de cruzar o seu olhar com o meu.
Eu vou jogar meu corpo em cima, em cima do seu
É isto o que eu queria dizer, mas não sei bem o motivo.
Esta
noite, fui dormir por volta da uma hora da manhã. Acordei,
espontaneamente, às cinco, quase como se tivesse dormido a noite
inteira.
Tive um sonho estranho. Nele, havia meu pai, minha mãe,
uma estação de metrô ou talvez um terminal de ônibus - não sei
identificar -, uma bolsa esquecida em um dos bancos do lugar que teria
ficado lá por dias sem que ninguém pegasse ou permitisse que quem quer
que fosse - a não ser o dono - a recolhesse. Ao telefone, meu pai me
disse algo que me instigou a lhe sugerir uma psicoterapia.
-
Eu fui para a prisão por causa de um (não me lembro como ele chamou ao
cidadão) e não pude fazer nada! Eu fui criado para a luta!
Isto foi o que meu pai me disse no sonho. Mas isto realmente não importa.
Além disto, em um outro momento do sonho, havia uma espécie de sítio, e, lá, meu namorado estava comigo, mas também não tenho certeza de que era meu atual namorado. É confuso, como a maior parte dos sonhos - apesar de eu costumar lembrar dos meus sonhos com riqueza de detalhes, no momento em que acordo; esqueço conforme os minutos e horas se passam, de fato, mas sou capaz de me lembrar em outro momento do dia, se, imediatamente ao acordar, fizer uma revisão em voz alta do sonho.
Levantei-me, fui ao banheiro. Depois, à cozinha, comer um pedaço de bolo de cenoura com cobertura de chocolate (gostooooooosooooo *.*). Antes que eu abrisse o forno para apanhar um pedaço de bolo, abri a geladeira e, neste momento, tive um estranho déjà vu: foi como se, pela terceira vez, exatamente, eu tivesse aberto a porta da geladeira, no mesmo instante da minha vida, olhando para o mesmo pacote de azeitonas e pensando na mesma coisa em que estava pensando. Tive medo que, a partir dalí, eu vivesse a minha vida toda, ou parte dela, novamente.
Dèjá vu's assim acontecem o tempo todo comigo, mas quem não os tem? Talvez a única diferença esteja na maneira que sinto isto. Intensidade é a palavra. Meus sonhos são vívidos, a repercussão deles em minha emoção é avassaladora, e meus dèjá vu's são amplificados, verdadeiras fantasias, vívidas, como a maior parte das minhas fantasias.
Estas coisas não são difíceis de lidar. Estas coisas são lindas! Exceto, claro, quando tenho a sensação de que estou vivendo uma lembrança da minha vida e não minha vida propriamente, ou quando começo a fantasiar involuntariamente, durante horas, com um mundo caótico e assustador repleto de figuras distorcidas e abismos. Mas, fazer o quê? Esta é minha vida e merece ser vivida com orgulho e dedicação, estou enganada?
Um grande abraço a todos, acompanhado por um beijo sabor cenoura com chocolate.
Até a próxima.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Hamires Cristine - Post de apresentação
Olá.
Meu nome é Hamires Cristine, tenho, hoje, 20 anos, a se tornarem 21 dentro de catorze dias, e tenho Transtorno de Personalidade Borderline, diagnosticado há cerca de quatro anos.
Prossigo em tratamento psiquiátrico e psicoterápico, e pananans. Mas não quero falar da patologia. Quero falar de quem eu sou, independente de ser um aspecto border ou não.
Eu sou intensa. Eu gosto de artes, de conversas profundas (mas não de discussões. Odeio discussões!) e de coisas bonitas. E eu odeio grosseria!!! Simplesmente odeio!
Preencho meu tempo escrevendo, lendo, pensando - muito! - ouvindo música, às vezes, e prefiro ouvir rádio a colocar um CD ou uma playlist. As estações que mais gosto de ouvir são a Nova Brasil, a Alpha, a Cultura e a Kiss.
Eu tenho um namorado. Pretendo me casar com ele.
Sou de poucos amigos. E sou a pessoa mais sumida das Américas!
Blogs? Adoro!
Junto à Wally, idealizei este blog.
Compartilharei aqui um pouco do meu dia-a-dia lindamente patético. =)
Pra concluir a apresentação e deixar minhas boas-vindas, segue uma musiquinha de algo que eu quero lhes dizer. =)
P.S.: Ative as legendas, passando o mouse (isto foi corrigido. Eu tinha escrito "mause", kkkk) sobre CC no player, clicando em "Traduzir legendas" e escolhendo, então, o idioma.
Meu nome é Hamires Cristine, tenho, hoje, 20 anos, a se tornarem 21 dentro de catorze dias, e tenho Transtorno de Personalidade Borderline, diagnosticado há cerca de quatro anos.
Prossigo em tratamento psiquiátrico e psicoterápico, e pananans. Mas não quero falar da patologia. Quero falar de quem eu sou, independente de ser um aspecto border ou não.
Eu sou intensa. Eu gosto de artes, de conversas profundas (mas não de discussões. Odeio discussões!) e de coisas bonitas. E eu odeio grosseria!!! Simplesmente odeio!
Preencho meu tempo escrevendo, lendo, pensando - muito! - ouvindo música, às vezes, e prefiro ouvir rádio a colocar um CD ou uma playlist. As estações que mais gosto de ouvir são a Nova Brasil, a Alpha, a Cultura e a Kiss.
Eu tenho um namorado. Pretendo me casar com ele.
Sou de poucos amigos. E sou a pessoa mais sumida das Américas!
Blogs? Adoro!
Junto à Wally, idealizei este blog.
Compartilharei aqui um pouco do meu dia-a-dia lindamente patético. =)
Pra concluir a apresentação e deixar minhas boas-vindas, segue uma musiquinha de algo que eu quero lhes dizer. =)
P.S.: Ative as legendas, passando o mouse (isto foi corrigido. Eu tinha escrito "mause", kkkk) sobre CC no player, clicando em "Traduzir legendas" e escolhendo, então, o idioma.
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