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terça-feira, 27 de setembro de 2011

A volta da música à minha vida

Minha história com a música é turbulenta, assim como meus relacionamentos mais íntimos e desejados.

O gosto musical foi plantado em mim: mamãe me ninava ao som de Chopin; durante minha infância, cansei de dormir escutando Zezé di Camargo e Luciano, Leandro e Leonardo, Chitãozinho e Xororó, entre outros sertanejos, que minha mãe fazia questão de deixar tocando baixinho para dormir; ainda durante a infância, tive um contato mais ou menos intenso com a MPB.

O gosto musical foi cultivado em mim: me lembro de me "meter a cantar" desde meus oito ou nove anos, todos achvam uma graça, todos queriam ouvir; aos onze anos comecei a ter aulas de canto, acompanhadas das aulas de teoria musical, e logo já fazia parte do coral do conservatório, do coral da escola onde estudava, e queria estudar piano e passava tardes inteiras no conservatório treinando escalas no piano, enchendo o saco dos professores e de alunos de piano para me ensinarem algo.

Meu gosto musical, foi, aos poucos, sendo censurado pelo ambiente: eu não podia ter aulas de piano - a aula de canto ja esgotava o orçamento -, e, quando eu tinha 13 anos, minha mãe não podia mais pagar a aula de canto. Eu já era uma criança sensível demais ao ambiente. Este abrupto afastamento da unica coisa que me fazia feliz na vida (eu chegava da escola e ia para o conservatório, mesmo nos dias em que não tinha aula de música) não foi sentido por mim de forma amigável. Eu deveria entender? Eu não acho que eu tinha esta obrigação. Mesmo assim, eu entendi.

Mas, aos poucos, fui me tornando retraída e inativa, com relação à música, em um movimento no sentido de evitar o sofrimento que o afastamento de minhas atividades me causou. Muitas vezes, eu chorei escondida no banheiro ao ver as bandas que tocam em reuniões, formaturas e festas de casamentos. Por mais que eu pudesse buscar um meio de prosseguir com meus estudos musicais, e realmente me senti culpada durante muito tempo por não ter feito isso, hoje, compreendo que havia uma força maior que me segurava, um sofrimento latente, que não quis se deixar ser sentido, e foi me afastando cada vez mais da música.

Por algumas vezes, pensei em tentar o processo seletivo da Escola Tom Jobim. Por outras, em me inscrever para entrar em algum coral. O sofrimento realmente me barrou demais!

Eu perdi o contato. Não busquei ampliar meus horizontes - meu repertório musical, hoje, é minimamente mais extenso do que o que eu tinha há 10 anos atrás. Não sinto mais tanto gosto com a música. Ou melhor, não sentia.

De repente, compreendi  - não completamente ainda, mas de forma um tanto parcial - o movimento que fiz e o sofrimento, o receio da frustração. Isto liberta, sabem? É como se fosse aberta uma porta para eu entrar em contato com a única coisa que ainda restava de original em mim na época em que eu não sabia que era tão infeliz. Coincidência ou não, meus sintomas começaram a aparecer, de fato, de forma a eu mesma percebê-los, após o rompimento com a música.

Quando falo que era o que ainda restava de original em mim, quero dizer que era uma aspiração minha, algo realmente meu, um sinal do meu 'eu' verdadeiro.

Com isto, resolvi fazer da música um instrumento do meu desenvolvimento.

Nos métodos de estudo, eu posso aprender a ter foco. No contato com a música, eu posso me deixar ser eu mesma, original e essencialmente.

Eu bato nesta tecla: nós nunca vamos conseguir sair deste ciclo de angústia, raiva e insegurança, se não nos permitirmos um contato com o que há de mais verdadeiro e essencial em nós, a fim de estabelecer uma relação sadia conosco mesmos, fazer se sentir querida, bem-vinda e protegida a nossa criança interior, para que ela entre em contato com o mundo de forma segura e possa crescer, e possamos "atualizar", como dizem os profissionais que cuidam de mim, os nossos sentimentos, já que eles ficaram presos em algum lugar de nossas infâncias.

Voltando à musica, ontem, decidi voltar a estudá-la. Eu não tenho dinheiro? Foda-se! Eu tenho a minha vontade, a minha capacidade, a internet (rs) e, ainda, para ajudar, já fui introduzida no mundo musical prático e teórico. Será que eu realmente preciso de dinheiro para voltar a estudar música?

Conversei com minha tia, e ela vai me emprestar o violão. Eu queria aprender algum instrumento, e gosto deste. Violão é versátil e acessível, além de eu achar o estudo do violão algo bastante agradável, e de eu morrer de vontade de não depender dos outros para fazer minhas "cantarolias" por aí!

Além de conseguir um violão, também baixei alguns programas que me ajudarão com meus estudos (programas de partituras e um teclado virtual), garimpei um material 'chuchu-beleza' para meus estudos em técnica vocal, violão e teoria musical, estou organizando meu roteiro de estudos, e também comecei a pesquisar livros de história da música, teoria musical, aspectos fisiológicos e físicos da música, entre outros temas afins .

Farei meus estudos da seguinte maneira: semanalmente, sempre nos mesmos dias, e horários, inclusive, tomarei uma nova lição de técnica vocal, assim como uma nova lição de violão e de teoria musical, que estudarei e praticarei ao longo dos dias que se passam até que chegue o dia de aprender uma nova lição. Também organizarei uma forma de apreciação musical, mas ainda não sei como, porque sou extremamente metódica e não desenvolvi tal método. Acredito que comunidades sobre música, blogs e os livros de história da música me ajudarão nesta questão.

Com relação aos livros, estou fazendo uma lista com todos os títulos disponíveis sobre o tema, lista sobre a qual me basearei para escolher os livros que entrarão no meu roteiro de estudos.

Já que não tenho um professor, tenho que desempenhar este papel da maneira que posso, e a maneira que posso é pesquisando bastante e fazendo um roteiro de estudos. E seguindo este roteiro, como boa aluna, claro. =)

Meu objetivo é desenvolver a habilidade de manter o foco, a disciplina e a persistência, através do engajamento em fazer algo que me traz prazer e satisfação, já que sou o que chamamos de "borderline de baixo funcionamento".

A princípio, admito que estou motivada e otimista com esta questão da minha volta aos estudos musicais.

Os manterei atualizados no decorrer desta minha jornada.

Um abraço a todos, e um beijinho de esquimó nos mais saídos.

Desenho, pintura, isolamento social e crianças macabras

Hoje, eu quero falar, aqui, de desenho e pintura. Não tecnicamente, obviamente (risos).

Lembro-me que eu tinha um caderno de desenho, que eu rabiscava para me expressar. Este caderno não existe mais. Perdi em um acidente destes da vida, onde fazemos coisas idiotas e sofremos as conseqüências. Mas não é disto que quero falar.

Dentre os desenhos contidos naquele caderno, havia uma espécie de auto-retrato, que era um desenho mal feito e mal pintado dos meus braços cortados e sangrando. Havia outro, onde uma figura humana abstrata carregava o mundo nas costas e, em volta, haviam manchas pretas, como se a realidade estivesse sumindo. Outro, ainda, era uma moça que flutuava, de olhos fechados, seus braços e pernas terminavam pontiagudos, sem mãos e pés, e em volta dela havia uma energia em faixas, lilás, amarelo e verde água. O outro era o rosto de uma mulher gritando, congelada (havia o desenho do gelo), como se tivesse congelado no momento em que gritava, e assim permaneceu. Em outra folha, desenhei uma rosa congelada.

Não me lembro, neste momento, dos outros desenhos.

Eu gosto de desenho, mas não sei desenhar. E gosto de pintar, mas não sei pintar. Eu pretendo aprender, e já dou minhas rabiscadas, porque é gostoso e não tem nada de mal em desenhar sem saber, é só que eu quero fazer isto com mais liberdade e a técina traz isto.

Eu não conheço a história da arte e as obras dos grandes artistas. Eu passei os últimos 21 anos dentro de uma bolha. Não conheci música, arte, não soube do que se passa no cotidiano, no mundo, não desenvolvi relações íntimas com as pessoas ou com as situações que eu vivia. Muitas vezes, eu até não fazia idéia de que dia do mês era, outras, não sabia em que dia da semana estávamos, e toda vez que chega um feriado eu só descubro quando percebo que está todo mundo em casa. Eu já cheguei a esquecer meu próprio aniversário - que, por acaso, é amanhã - por mais de uma vez.

Mas estou entrando em contato comigo, aos poucos, e com minhas aspirações, minha essência.

Sempre gostei de ir a museus e exposições e tenho vontade de conhecer a história da arte, observar as obras. Entender a história ainda não me fascina, mas ter um contato mais íntimo com este universo é algo que eu desejo.

Acho que vou procurar livros sobre isto. Sei que acabei de dizer que a história da arte não me fascina, mas através dela obterei um rumo para conhecer o que realmente quero

Também andei olhando desenhos na internet, e encontrei duas artistas que me encantaram. Uma é a Adriana Ramalho. Encontrei o portifólio dela há algumas semanas, quando pesquisava desenhos em pastel oleoso.

Este é um desenho dela. Gosto muito.


Outra, é a Kika Goldstein. Encontrei hoje, quando procurava o site da Adriana.


Gosto destas visões que misturam o abstrato com o concreto, elas retratam como é, de fato, o sentir da gente, e "da gente" significa todo mundo. O normal é sentir desta maneira, internalizando a coisa, tornando-a particular, com um aspecto único, cheio do que há dentro de nós. Nada contra o realismo, ele tem seu valor e seu lugar. Neste aspecto, eu, particularmente, prefiro as pinturas feita com tinta, observar as pinceladas que o pintor juntou, uma a uma, para formar um todo e retratar fielmente o que ele via.

Estou pensando em mostrar a vocês alguns dos meus rabiscos. Querem ver? Não são técnicos, mas foram pintados pela minha alma, e fizeram um bem lascado a ela também.

Este é o primeiro que eu pintei, quando minha amiga, Bruna, me convidou para desenhar com ela. Aliás, agradeço a ela por ter me posto denovo em contato com este meu lado, foi algo muito importante!


Já, este, eu fiz depois de comprar meu próprio material, e eu até o postei no outro blog.


Ai, isso é tão legal!

O pior é que tem vários desenhos sem pintar alí na minha pasta.

No material que tenho, tem tinta acrílica, lápis, borracha, apontador, blocos de papel canson, pincéis, pastel oleoso (falar "pastel oleoso" parece chique, né, =P), esfuminho, paletinhas, godet, e uma pasta, onde guardo os desenhos. Quero comprar telas. Deve ser muito gostoso pintá-las!

Acho que vou abrir uma campanha "Ajude a Hamires a se tornar uma artista". Se 310 pessoas me doarem, cada uma, 50 centavos, eu já poderei pagar um mês de aulas de desenho artístico!

Hehe. É brincadeira. Não vou fazer isso, não. Que patético.

Então, e este é um desenho que eu idealizei quando estava na sala, e vi o reflexo do relógio no vidro da televisão desligada. A princípio, seria somento o relogio, com esse fundo cinza, mas eu comecei a devanear, e quando eu devaneio, já viu!


Nossa! Este desenho, com essas fibras viscerais, me lembrou que, esta noite, antes de dormir - quando eu estava tentando dormir, na verdade -, ficaram me assombrando imagens, dentro da minha cabeça, de uns rostos de crianças, e era assustador, um tanto sanguinolento. Elam sorriam, com cara de quem aprontou. Daí, me lembrei que hoje é dia de Cosme e Damião. Sinistro, isso.

Mas, voltando, estes são os desenhos. Não os bombardearei mais com eles - pelo menos, não neste post.

Ah, essa coisa toda de pintura e desenho e artistas e contato com o mundo das artes me lembrou que, quando eu estava na sexta ou na sétima série do ensino fundamental, não me lembro ao certo, nós fomos ver a exposição das obras de Picasso, na Oca, e tínhamos um trabalho de artes para fazer sobre esta visita. O solicitado foi que escolhêssemos uma das obras que estavam lá e a reproduzíssemos, com nossa própria visão.

Hoje, entendo que é porque era isto o que Picasso fazia, mas, na época, não me apercebi disto.

Bem, o fato é que eu escolhi, de propósito, um dos desenhos mais simples - justamente porque eu não entendia bem o que era para fazer - como os desenhos de Picasso que estão logo abaixo, mas não era nenhum desses - eu acho. Não me lembro qual era. Eu revirei as obras de Picasso na internet, para tentar reconhecer o desenho que eu havia escolhido, mas não reconheci.



O fato é que eu até hoje não entendi por quê eu fui a única que tirou nota 10. Eu só tentei fazer o desenho o mais parecido possível. Onde está a minha interpretação nisso? Vai entender...

Bem, deixa eu ficar por aqui, porque já falei demais.

Um tchauzinho cheio de gracejos.
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